Silvio Santos comete racismo ao tirar prêmio de candidata negra Confira

A prova de que Silvio Santos está na contramão do mundo é o resultado do Miss Universo, que elegeu uma candidata negra no concurso de 2019

O nome de Silvio Santos virou tag no Twitter nesta segunda-feira, 9, horas após ir ao ar uma cena de racismo descarado do apresentador em seu programa no SBT, exibido no último domingo, 8.

O comunicador promoveu uma competição entre quatro mulher, cujo objetivo era a plateia votar na que interpretasse melhor o hit da internet ‘Caneta Azul’.

De lavada, a candidata Jennyfer – que é negra – recebeu 84 pontos das colegas de trabalho, enquanto as demais participantes, que são brancas – tiveram apenas 8, 5 e 3 pontos.

Silvio, então, premiou todas as mulheres com R$500, e no fim, decidiu que para ele a vitoriosa era Juliani e ela que merecia levar R$1 mil.

“Se eu estivesse em casa vendo esse programa, na minha opinião, a melhor intérprete foi a Juliani. Você ganhou! Você é muito bonita, canta bem e ganhou mais R$500″, declarou ele.

Além disso, no fim, o apresentador deixou que as três primeiras candidatas cantassem novamente e quando chegou a vez de Jennyfer ele encerrou as participações.

Nesta manhã, Jennyfer se manifestou sobre o assunto e disse que se sentiu constrangida com a situação: “Estava lendo e respondendo alguns comentários e um deles me chamou atenção, dizendo para eu não me vitimizar. Quem assistiu ao programa viu o que aconteceu. Eu me senti super constrangida naquele momento, mas como demorou três semanas para ir ao ar, eu não podia mencionar nada sobre o assunto, e muito menos expor nada. Eu jurava que eles iam editar essa parte, que ele me barrou de cantar a música. Em nenhum momento eu postei nada dizendo que ele foi racista comigo. As pessoas que sentiram isso. Eu respeito a opinião de todo mundo, cada um tem a sua, mas em nenhum momento eu me fiz de vítima. Porém, eu me senti constrangida, sim, quando ele deixou as três cantarem e na minha vez barrou dizendo que a música era muito chata. Me senti prejudicada, constrangida, acho que todo mundo viu a minha cara de merda. Era um programa para sermos avaliadas pela qualidade vocal, mas infelizmente, no Brasil são poucos os programas que avaliam isso de fato”, desabafou.

Os internautas encheram o Twitter de críticas por conta do racismo que Silvio Santos cometeu em seu programa. Confira a cena abaixo e algumas reações:

Alexandre@Iexandre

Já passou da hora de Sílvio Santos sair do ar. Esse homem é datado, extremamente problemático, machista e racista… Isso aqui é um absurdo!

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POPTime@siteptbr

Em quadro do Programa Silvio Santos, mulher negra vence disparado na votação do auditório, mas ao ver o resultado, apresentador não aceita e acaba mudando as regras do jogo, premiando uma mulher branca. Nome do r4c1st4 já se encontra nos trending topics. Alguém surpreso?

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Iguinho@iguinitta

Gente, a Jennyfer Oliver estava participando de um quadro do programa Silvio Santos e venceu disparado na votação, mas o Silvio não aceitou e acabou mudando as regras do jogo e premiando uma mulher branca. Vamos dar uma força pra ela? Siga ela no insta: https://instagram.com/onomedelaejeniferoficial 

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ENQUANTO ISSO…

Miss Universo 2019, que rolou no último domingo, 8, elegeu como vencedora a sul-africana Zozibini Tunzi, primeira Miss Universo negra desde 2011, quando Leila Lopes, de Angola, levou a coroa.

Esta é a terceira vez que uma sul-africana é eleita Miss Universo. O país já havia vencido o concurso em 2017 com Demi-Leigh Nel-Peters e em 1978 com Margaret Gardiner.

Racismo: saiba como denunciar

Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89 e deve sempre ser denunciado, mas muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar, e o caso acaba passando batido.

Para começar, é preciso entender que a legislação define como crime a discriminação pela raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, prevendo punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores.

A denúncia pode ser feita tanto pela internet, quanto em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais, como as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro.

No Brasil, há uma diferença quando o racismo é direcionado a uma pessoa e quando é contra um grupo.

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